Saúde transformada em dados de Inteligência Artificial
- sonianiara
- 15 de set. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de set. de 2021
Novas tecnologias surgem para conectar pacientes aos seus médicos e influenciar nas taxas de sobrevida e mortalidade

Em tempos de epidemias ou pandemia, como a do coronavírus (Covid-19), fala-se muito sobre os sintomas que alertam o estágio inicial de uma infecção ou o avanço progressivo de uma doença, nos levando a buscar o atendimento médico o mais rápido possível.
A preocupação de muitas pessoas pode não acabar por aí, pois ao continuar o tratamento em casa, seja em qualquer quadro de saúde, o paciente pode continuar debilitado e em estado de alerta. Perfeito seria se nós pudéssemos manter contato direto com a equipe do hospital, a fim de tirar nossas dúvidas e receber orientações específicas.
No caso da Jussara del Moral, 55 anos, São Paulo, que realiza tratamento contra o câncer há 11 anos, esta condição seria ainda mais ideal. Por lidar com um câncer de mama metastático, ou seja, quando o tumor que se iniciou na mama retorna em outros órgãos, seu tratamento é contínuo e com foco, não na cura, mas em qualidade de vida.
Jussara já realizou tratamentos para eliminar nódulos pulmonares, como quimioterapia e cirurgia, e, atualmente, faz uso diário de quimioterapia oral para controlar o crescimento de tumores na calota craniana.
Logo, ela sabe bem como o relacionamento e a comunicação constante entre médico e paciente é fundamental, principalmente além do consultório: “Mesmo eu sendo uma pessoa bem informada e tendo tratamento pelo convênio, eu sinto falta de um cuidado mais integral, tanto prático quanto emocional”.
TECNOLOGIA
Em resposta a esta necessidade e à dor da própria família, os irmãos Fernanda e Matheus Diacov criaram uma tecnologia que conecta pacientes com seus médicos, com o objetivo de promover qualidade de vida mesmo durante tratamentos prolongados e agressivos, como o do câncer.
A ferramenta Innovecare, já em uso no mercado, foi desenvolvida para pacientes oncológicos relatarem seu estado de saúde diariamente, como temperatura corporal e estado de humor, mesmo quando eles estiverem no intervalo de semanas entre as consultas ou um ciclo de quimioterapia e outro. Estas informações são coletadas periodicamente, por meio da tecnologia de Inteligência de Dados e Inteligência Artificial, e interpretada pela equipe do hospital.
A ideia surgiu quando eles notaram a diferença do acompanhamento médico na qualidade de vida de seu pai — que teve a sobrevida de 8 anos, mesmo recebendo a estimativa de apenas um ano de vida após o diagnóstico de um câncer avançado.
“Quando você ajuda o paciente a solucionar os efeitos colaterais de uma forma mais rápida, ele ganha uma eficiência maior no tratamento, aumentando a sobrevida e minimizando o sofrimento e as complicações”, explica Matheus Diacov, 38 anos, CEO da Innovecare.
CRIANÇAS
Para Joel de Oliveira Junior, CEO da Luckie.Tech, seu objetivo é diminuir a taxa de mortalidade de crianças com câncer. Ele desenvolveu um dispositivo, similar a um band-aid e com durabilidade de até 4 meses, capaz de monitorar a temperatura corporal de crianças em tratamento oncológico quando fixado em sua pele.
O protótipo, ainda em fase de testes, é composto por uma sensor, uma bateria e uma antena — que envia os dados coletados para a ‘nuvem’. Estes dados ficam disponíveis para acesso pelo sistema exclusivo do hospital e pelo aplicativo do cuidador, no caso os pais do paciente.
Para Jussara, muitos sentimentos surgem ao ouvir, pela primeira vez, sobre essas ferramentas: “Eu só tenho medo que a humanização acabe sendo substituída pela tecnologia, mas acredito que nenhuma tecnologia chegue a este ponto de substituir o trabalho médico, o olho no olho e o atendimento personalizado”.
Ainda que o avanço tecnológico continue cada vez mais intenso e inserido na realidade do dia a dia, seja pela Internet das Coisas e Inteligência Artificial, preocupações como a de Jussara não precisam ser alimentadas como garante o médico oncologista Nivaldo Vieira e especialista na área de tecnologia em saúde: “As máquinas nunca conseguirão desenvolver as capacidades médicas e humanas de discernimento, intuição, empatia e compaixão. A tecnologia nos ajuda a captar dados, mas só o ser humano pode transformar isto em conhecimento e transformação de vidas.”.
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Pacientes que utilizaram o modelo de ferramentas tecnológicas como acompanhamento extra atendimento hospitalar tiveram 5 meses a mais de sobrevida em relação à pacientes que não utilizaram e tiveram apenas os cuidados habituais — Pesquisa apresentada na ASCO 2017.
Publicado em Julho de 2020 na Revista Foca — Universidade do Vale do Paraíba
Link para a edição da revista: https://issuu.com/focafcsac/docs/foca_01_2020


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